terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Estou de volta pro meu aconchego...

Duas agremiações, dois ensaios. A primeira escola entrou na avenida que ainda se encontra em obras, sequer ouvia a bateria tocar, apenas o som de uma serra cortando vergalhões.
Logo minha mente ficou vazia, esperando a escola chegar perto de onde eu estava e consequentemente as observações foram brotando em minha mente. A primeira escola a desfilar vem com o enredo sobre superação (superação é da agremiação a qual sou carnavalesco, fazer carnaval sem dinheiro... isso sim é superação), claro que a escola abordará diversos tipos de superações, a sua ficará a cargo das alegorias e fantasias, passando assim se chamar ostentação.
Não quero criticar a escola, sim o desfile que provavelmente será apresentado, mas o fato do incêndio já passou e ela colocou de alguma forma seu carnaval isso sim já foi uma superação, ponto final.
Voltamos ao desfile.
O contingente da escola era enorme, alas, tripés, marcadores de alegorias, mulatas de todas as matizes de cores, gostosonas, a feira inteira com diversas variedades de frutas, as celebridades e celebridades efêmeras aso montes, lógico. Todos aplaudidos, mas as baianas, passistas, velha guarda, cadê? Para o que eles servem???
Fria e técnica, assim a escola passou. Esse termo que em simples palavras significa "e a escola passou sem graça".
Segunda escola a desfilar. Terceira observação.
De longe sentia a energia vibrar na arquibancada, pulsar na avenida, agora as serras não atrapalham mais, todos se levantam e reconhecem ao longe. Porém mais uma vez alguns olhares estavam focados nas celebridades efêmeras do carnaval.
Mas a tradição falou mais alto, o pé no chão dessa escola fez todos se levantarem e assistirem de pé o seu samba. Gostei.
Pena que uma dessas rainhas-sem-graça-pálidas-de-bateria, passou tão sem graça que parecia a Quaresma representada por Bakhtin, mas graças aos deuses do carnaval, eis que surge um pouco perdida, uma linda menina com samba no pé. Eu já tive o prazer em conhece-la, junto com seu pai. De uma simplicidades ao extremo!!! Ela sim deveria estar a frente da bateria.
Meu maior questionamento dessas observações é a falta de importância para segmentos pé no chão, eles que fazem a ópera popular, tudo bem nem tão popular assim e o sentido alegórico de ópera também esta se perdendo. Ala das crianças??? Baianas passando com suas anáguas desapercebidas??? Velhas Guarda??? Até os passistas não encantam mais com seus requebrados.
Só restou aquela que ainda pulsa forte, poderiam diminuir o ritmo de sua batida, antes que morra de ataque fulminante. E no dia que ela parar, só se escutará a marcação do surdo, em passos lentos de uma marcha.
Até breve!